Mas hoje sentei, pus meus fones, pus minha música, e me concentrei no que ela diz entrando diretamente na minha cabeça. Algumas falam de amnésia, daquele dia perfeito, do amor que partiu.
Apaguei as luzes, e fiquei aqui.
O escuro sempre me pareceu melhor, embora não mais seguro, mas melhor. Sou da noite, não do dia. Gosto do silêncio que involuntariamente traz, da paz e do sinônimo de descanso, e esse vento na janela levanta a poeira toda, e de seu modo, me diz pra fazer o mesmo.
Beatles. Ouvindo Beatles. The ballad of john and yoko.
A baladinha que me faz sorrir sempre que ouço.
Preciso desse silêncio ao meu redor pra pôr de forma desorganizada o turbilhão de coisas que passam por segundo pela minha cabeça, e que a fazem doer até parecer explodir todo santo dia. Parece um ritual sagrado. Em que os neurônios montam um motim na minha cabeça e ficam fazendo guerrinha de travesseiro. Malditos.
Como deixar o humor inabalável com esse desconforto o tempo todo?
Viver na base dos calmantes é cansativo.
Viver fraca e com dores o tempo todo é ainda mais cansativo.
Viver com esse desânimo então...
Mal consigo me livrar de um mal sem aparecer um novo.
E cada vez mais sério.
Fraqueza no corpo e na mente.
O corpo não se equilibra se a mente tombar. Ele vai junto.
E como posso controlar meu raciocínio, e fingir que não vejo as coisas que me desagradam tanto ao meu redor?
Preciso pensar 500 vezes por dia antes de sair da minha cama. E pensar 1,500 pra não largar tudo. Tudinho de vez, e viver de tristeza um pouquinho, e descansar. Ah...descansar...
Não pude parar e descansar um dia aliviada ainda. A cada dia meu corpo dá um sinal diferente de que está ficando fraquinho, e não posso fazer nada. Não pude me permitir parar as engrenagens até agora, então, como posso fazer isso?
Desde o dia 18 de junho, que não descanso, não durmo direito, não tenho o pouco do sono livre de pesadelos e culpa.
Mas como saber o caminho certo se não andar um pouco pelo errado?
Talvez, achando que eu tenha trilhado o certo, fui parar no errado.
Eu conto os dias, um por um.
E não descanso, adoeço. Mas as coisas não são feitas à espera de reconhecimento. Não é necessário falar, é preciso sentir. É olhar pro amigo, mas olhar a fundo, e reconhecer o que há.
Queria ter o direito de me sentar e pensar, e descansar, e ler, e fazer o que eu bem entender, pq mereço isso, e quero isso pra mim. Apenas eu sei.
Mas minha maldita índole não deixa eu agir de forma descontrolada exatamente nos momentos em que eu preciso erguer as mãos e dizer: tô fora, chega.
Como eu queria que fosse simples de explicar e descomplicado de entender.
Mas como?
Não sei mais de onde inventar bons motivos pra soltar minhas rédeas e desenfrear. Me jogar nesse vento aí fora e ver aonde ele vai me levar.
Mas acontece que não gosto de vento, e não é uma metáfora.
Ele é tão denso que me sufoca, me deixa sem saber como respirar, e costuma trazer poeira aos meus olhos. E se eu já não enxergo bem nos dias de sol, como posso andar no vento?
Eu sei que é hora, que agora é sério, que é meu limite físico. Mas não sei por onde se começa com a loucura de se largar tudo e pegar uma mochila e pôr nas costas.
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