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segunda-feira, 8 de março de 2010

Retrato Singular - Parte 1

Houve um dia em que ela acordou diferente, como se o medo que há muito ali residia houvesse feito as malas e a deixado. Aliás, acho muito provável que a palavra para tal definição não tenha sido inventada até o momento.
Era como se nunca houvesse tido um buraco em meio ao seu peito, como se se tivesse acordado e soubesse, enfim, que estava curada.
Não houve como a surpresa não passar por seus olhos, mas as lágrimas não vieram. Como se houvesse atingido um outro nível de sabedoria, que não lhe permitiria olhar pra trás sequer uma vez.
Agora, embora muito modestamente, ela conseguia aos poucos vislumbrar um futuro.
Mas é fácil saber o porque das lágrimas não terem vindo: Porque a fonte de onde surgiam já não era mais tão densa, tão regada. Havia ali muito pouco agora, mas após tantos transbordamentos repentinos o nível das águas baixou drasticamente.
Só o que se via agora era a quantia exata para os momentos em que eram solicitadas.