O achar que se é alguém, e de fato ser...
Ah, como é bom se iludir na vida, não é mesmo?
Sair por aí, se sentindo o rei do mundo, alienado no seu fone de ouvido, imaginando um mundinho perfeito.
Como é fácil viver assim.
Mas pra quê viver assim?
Onde é que está aquela adrenalina que faz pulsarem as veias, a emoção do descobrir, do precisar, do querer e nem sempre poder?
É aí que vos digo que quem constrói essa utopia não somos nós.
Criamos monstros involuntariamente afirmando inverdades, citando rostos lindos, comparando-os às mais belas paisagens, comparando-os com tudo que há de mais puro e belo...
Por favor, eu peço encarecidamente pra não tomarmos mais tais atitudes.
Em que tipo de mundo viveremos então?
O tom de talento é o ego quem ajusta.
Se o inflamos, o alimentamos com todas as banalidades de que ele necessita pra sua sobrevivência, ele cresce firme e forte.
Mas veja bem, o ego se torna o parasita que desfaz toda essa magia.
Quando ele entra em confronto com a realidade, e deixa Asgard de lado, as consequências são incontáveis.
Por dizerem ao ego que ele é muito bom, ele é demais, e que igual a ele jamais existirá outro.
O ego é lindo, um semi-Deus da perfeição, comparado aos reles mortais que do ego não se alimentam.
Quando de fato ele descobre, seja no momento em que for, que mais do que tudo, o que o sustentaria seria a humildade com os demais reles plebeus, ele viveria muito mais e com mais admiração.
Ora, mas por quê eu estou falando disso mesmo?
ah, sim.
Vivemos em Canela, pequena e turística cidade do Rio Grande do Sul.
Estado berço de talentos incontáveis, que nos orgulham em seus atos,
berço também, de superegos, a espécie pokémon evoluída do: Ego, este temível bandido.
Cidade esta que comporta uma cena musical maior do que os ouvidos podem aguentar. Mas antes fosse só isso, meus caros.
Cidade onde conveniências, favores, e pomposidades constroem vidas.
Onde os humildes com egos anoréxicos, se escondem em suas garagens, transmitindo em tons suas emoções, não por fama ou sucesso (embora fortes razões), mas pelo valer dos timbres, do momento sem igual que nos torna livres e nos tira as máscaras.
Me orgulho destes.
Mas, e agora vamos ao MAS: como eu disse, a cena é tão variada, que existem fantoches na cena que se julgam os principais.
Mas não os culpo.
Seriam apenas mais alguns fantoches, não fosse o mórbido ego ecoando, como um eco.
Dizendo-lhes o quão perfeitos são, e quão maravilhosa é a música que sai de seus dedos.
Favores meus caros, favores.
Podemos ser quem quisermos alimentando essas esperanças medíocres que ao poucos cavam os poços do esquecimento.
Podemos ser apenas nós mesmos, com a nossa boa e velha mediocridade, mas sendo nós mesmos, sem aparências.
Espero, do fundo do peito, que percebam suas futilidades enquanto é tempo; e deixem os atores de verdad entrarem em cena.
;)
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